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ACM NETO E O PROJETO DE PODER QUE TRANSFORMOU SALVADOR NUM CAMPO DE MULTAS

Durante anos, ACM Neto se vendeu como o gestor moderno, o político técnico, o homem da eficiência administrativa. Construiu sua imagem sob os holofotes de uma imprensa simpática, sempre pronta a aplaudir reformas estéticas e discursos polidos. Mas por trás do verniz de modernidade, o que Salvador viveu — e ainda vive com seu sucessor e afilhado político, Bruno Reis — foi a consolidação de um modelo de cidade repressora, silenciosa, vigiada e, sobretudo, cara para o cidadão comum.

Os números do primeiro semestre de 2025 são o reflexo perfeito da “herança maldita” deixada por ACM Neto: 357.137 multas de trânsito registradas apenas entre janeiro e junho. Uma média de quase 2 mil multas por dia. E o mais impressionante: mais da metade dessas autuações foram feitas por radares fixos, instalados de forma a surpreender motoristas, não a educá-los. Um sistema desenhado não para prevenir, mas para punir — e arrecadar.

Essa lógica de governar com a mão pesada da repressão foi idealizada nos bastidores do governo Neto. Foi ele quem construiu o sistema fiscalizador, quem deu carta branca à Transalvador para atuar como braço arrecadador da prefeitura. Foi ele quem investiu em uma máquina de multas automatizada, e não em infraestrutura viária decente, nem em campanhas educativas efetivas.

O resultado? Um modelo de cidade onde o cidadão é constantemente tratado como infrator em potencial. Patinetes e bicicletas elétricas agora são alvos de regras absurdas. Menores de 18 anos estão proibidos de usar os equipamentos, e quem ultrapassar os 6 km/h na calçada corre o risco de ser autuado. Esse tipo de norma, que beira o cômico, revela uma mentalidade profundamente autoritária. É o velho coronelismo adaptado ao século XXI, com cara de modernidade e alma de repressão.

E não para por aí. A lógica do “tudo é infração” chega até a praia, onde um projeto de lei pretende proibir o uso de caixas de som com multas que chegam a R$ 15 mil. Tudo isso num país onde o salário mínimo é inferior a R$ 1.500. Esse tipo de proposta revela o completo descolamento da elite política liderada por Neto da realidade da população. Para esse grupo, a cidade ideal é aquela onde pobre não faz barulho, não circula de forma alternativa e não comete o erro de se divertir de maneira espontânea.

ACM Neto pode até não estar mais sentado na cadeira de prefeito, mas sua presença é sentida em cada autuação que chega pelo correio, em cada radar escondido atrás de uma árvore, em cada agente com celular em punho pronto para registrar um deslize. Ele criou um sistema de poder que se alimenta da penalização constante, que enxuga o suor do povo para manter de pé um projeto político pessoal: o de se manter como alternativa nacional da direita “limpa” e “bem articulada”.

Mas essa imagem começa a ruir. Porque Salvador, antes cidade da música, da alegria e da convivência livre, virou um símbolo de repressão urbana. E o rosto por trás desse modelo, gostem ou não seus marqueteiros, é o de ACM Neto. A cidade ainda está pagando — com juros e multas — o preço de tê-lo como arquiteto de sua política pública. Que sirva de lição para o futuro.

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